quinta-feira, 15 de abril de 2010


Eu sei porque ainda neva.

É a inconstante rota que o ponteiro do relógio biológico totalmente desfigurado, descontrolado faz. Abstraindo notícias e revelações, acumulando idéias de jornais da mente de outras pessoas em uma parede de tijolos em um sótão qualquer, uma lareira suja e a vida desgastada mesmo que em sua volta aparentemente o tempo para...
Reticências de uma vida, incompleta, infeliz... sem nada.
Até que um dia o inesperado acontece ou alguma peça que o destino armou ele sai, respira pela primeira vez o ar tão puro e límpido e seus passos seguem em frente e em disparate um após o outro, assustado e interessado, curioso com o que vê, até que seu ar torna - se rarefeito ao vê - la, nasce daí a paixão...
... Impedido de toca - la, senti - la, culpa - se por não retribuir a tamanha felicidade que ela o proporciona, tenta chamar a atenção de outras maneiras, habilidades e dotes demonstrados, nada feito.
...Talvez estivesse destraida, ou talvez teria mais alguém em sua mente, seu coração?
- Não.
Apegada ao costume da convivência, abandonou toda a ética e a beleza do romantismo ao lado do outro homem, padronizando o seu coração.
Ele deveria desistir, continuaria sem ar quando a visse novamente ?
- Sim...
...duvidoso esse sentimento, apaixonado por uma pessoa acostumada com a mesmisse da situação, assim como ele, com uma mente agitada, mais um coração frio. Ele via muitas coisas em comum, coisas que não podem ser vistas a olho nú, sentia sua respiração, a observava, os cabelos, a maneira como comia. Posso até adivinhar o sonho de poder segurar sua mão.
Então, quando tudo parecia estar terminado, suas funções distorcidas ao acaso, declarado culpado de crimes inocentes, desfalcado e maltratado, julgado eis que uma luz se acende. Apenas uma, um ... um abraço, quebrando o silêncio e disparando seu coração aflito e assustado... ela teria ido ao seu encontro?
- Sim.
O alvoroço ainda acontece, e sua mente agora começa a se embaraçar... porque motivo ela o teria abraçado? E porque esperar uma circunstância tão desagradável?
Talvez ela também tivesse medo de encarar a realidade dos fatos, o idiota que chamava de namorado, a não vida com a família que parecia quase perfeita, as amizades erradas que a faziam enxergar como certas, e de repente ele aparece, e faz tudo cair por terra assim, bem diante de seus olhos...
Ambos estavam inseguros, mais completamente atentos após aquele abraço.
Tomado pela fúria da provocação, ele saiu em direção ao ponto de partida, recuou para sua fortaleza deixando rastros de curiosidade, movido pela tragédia eminente no mesmo sótão dos jornais velhos colados na parede, três palavras, um sentimento, sete letras, dois corações...

Adeus - disse ele.
- Eu te amo.


"Como sabe que ele esta vivo?
- Eu não sei, não com certeza, mas, acredito que esteja... sabe, antes dele aparecer
nunca nevou e depois que apareceu nevou. E se ele não estivesse mais lá eu acho que não estaria nevando. As vezes me surpreendo dançando na neve"

(eduard)- mãos de tesoura .
*_*

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